Gosto de escrever porque é com palavras que eu consigo transpirar. Cem medo do que possa dizer. Cem medo de quem me possa estar a referir. Sei que posso e devo dizer aquilo que penso porque senão corro o risco de cair no erro de não ser coerente comigo próprio. Ocupo o meu tempo com esta ocupação porque me sabe bem, me preenche os sentidos e me ateia a alma. Sabe-me bem dizer mal de quem eu quiser, cem medo. De elogiar tudo o que o merece, cem medo. Aqui, neste pedaço da world wide web, consigo ser eu próprio. Cem hesitações. Cem receios. Cem medos. E é só isso que espero e quero continuar a fazer.
Hoje chego ao post número sem. E hoje também acabo mais um ciclo. Porquê? Porque, desde a última paragem, muitas coisas aconteceram. Comecei muitas coisas que consegui agora terminar, resolver, concluir: atrevi-me a voltar ao passado e a enfrentá-lo de novo para ter a certeza que escolhera bem o presente; tentei perceber o presente nas suas mais diversas vertentes para saber qual seria o meu futuro; ponderei e escolhi o meu futuro mais próximo, porque sei onde quero chegar e como lá quero chegar. Hoje acabo mais um ciclo porque sinto que os dedos pedem outra escrita. Não uma escrita "vomitada" ou demasiado sentimental como fora até agora. Sinto-os frios e práticos. Directos. Aguçados. Quero-lhes dar tempo para escolherem. Até lá vou andando por aí. Não sei quando volto. Pode ser amanhã ou muito depois. Não faço ideia. Mas sei que volto.
Este é o meu Atlas.O meu Atlas Deus que carrega o meu mundo. O meu Atlas que sofre por sonhos. O meu Atlas que, mesmo sofrendo por vezes, é feliz por sonhar.
segunda-feira, maio 28, 2007
segunda-feira, maio 21, 2007
Até já
Passei muito tempo a meditar. A meditar neste preciso assunto. Tive que montar todos os puzzles na minha cabeça. Perceber onde é que cada peça cabia. Conversas, gestos, imagens, actos. Pessoas.
Tive que pensar porque detesto andar à deriva. Ao sabor do poder que outros querem ter na minha vida. Tenho a necessidade de minimizar as mudanças que as acções e as opiniões dessas pessoas possam ter naquilo que é importante para mim. Tenho que conseguir justificar tudo o que acontece segundo as MINHAS regras. Para mudar as coisas segundo somente o que EU quero.
É por isso que escolhi este caminho. Porque não quero acreditar em fantasias, gnomos, bruxas, duendes, mágicos e tudo o resto que não existe. Fora com a porcaria dos "era uma vez", feitiços, pragas, promessas de "felizes para sempre" aplicadas ao que quiserem. Escolhi este rumo porque acredito em histórias com reis humildes e com uma capacidade de entrega imensa e com crianças grandes que são simplesmente o mais puro que existe. Sempre sob uma música de fundo, simples, reconfortante, ..., espectacular. Uma música que não tenho dúvida de querer, agora, continuar a ouvir.
Tive que pensar porque detesto andar à deriva. Ao sabor do poder que outros querem ter na minha vida. Tenho a necessidade de minimizar as mudanças que as acções e as opiniões dessas pessoas possam ter naquilo que é importante para mim. Tenho que conseguir justificar tudo o que acontece segundo as MINHAS regras. Para mudar as coisas segundo somente o que EU quero.
É por isso que escolhi este caminho. Porque não quero acreditar em fantasias, gnomos, bruxas, duendes, mágicos e tudo o resto que não existe. Fora com a porcaria dos "era uma vez", feitiços, pragas, promessas de "felizes para sempre" aplicadas ao que quiserem. Escolhi este rumo porque acredito em histórias com reis humildes e com uma capacidade de entrega imensa e com crianças grandes que são simplesmente o mais puro que existe. Sempre sob uma música de fundo, simples, reconfortante, ..., espectacular. Uma música que não tenho dúvida de querer, agora, continuar a ouvir.
sábado, maio 12, 2007
Solene
Hoje foi um dia especial. Um dia solene. Hoje decidi abrir a minha caixa de areia. Decidi visitar o meu mundo. Decidi passear no meu bosque. Decidi recolher-me na minha clareira. Decidi ir à minha sepultura. Hoje fui enterrar mais um bocado de mim. Convicto do que fazia, cavei com a certeza do quão fundo tinha que chegar. E foi lá em baixo que depositei este pedaço de vida morta. Fechei de novo a campa. Pensei-a e reflecti-a um pouco. Ofereci-lhe uma rosa negra viva cuidadosamente espetada sobre a terra ainda húmida. E disse-lhe adeus.
Obrigado às duas pessoas que me trouxeram até aqui. Que me esticaram o braço desde o cimo da minha falésia para que eu me içasse a partir do meu areal. E que não me deixaram cair.
Obrigado às duas pessoas que me trouxeram até aqui. Que me esticaram o braço desde o cimo da minha falésia para que eu me içasse a partir do meu areal. E que não me deixaram cair.
domingo, maio 06, 2007
Cruzamento
Não há dia que eu não acorde e não me depare com este dilema na minha cabeça. Vejo-me numa estrada imensa que vai em frente. A dada altura sinto e sei que tenho que escolher um de dois caminhos. Ambos vão em frente, embora um deles recorra a um pequeno desvio inicial. O problema é que se estendem os dois demasiadamente para o infinito, impossibilitando-me de ver todas as suas pernas e as suas paragens finais. Há dias em que penso seguir um, outros em que quero fazer o contrário.
Já pedi ajuda a quem me poderia ajudar. Só vejo bocas a abrirem e a articularem silêncio. Aquele silêncio irritante e brutal. Só vejo corpos a tomarem a iniciativa de virarem as costas. Costas enormes e cruelmente opacas. Talvez estas desajudas sejam as ajudas de que eu estou à procura. Talvez o problema seja só o eu não acreditar nelas e pensar que um dia ainda me vai cair um sinal de sentido obrigatório para o outro lado.
Simplesmente não sei o que fazer. Simplesmente não sei por onde ir. E o cruzamento está cada vez mais perto. É já ali ao virar do dia.
Já pedi ajuda a quem me poderia ajudar. Só vejo bocas a abrirem e a articularem silêncio. Aquele silêncio irritante e brutal. Só vejo corpos a tomarem a iniciativa de virarem as costas. Costas enormes e cruelmente opacas. Talvez estas desajudas sejam as ajudas de que eu estou à procura. Talvez o problema seja só o eu não acreditar nelas e pensar que um dia ainda me vai cair um sinal de sentido obrigatório para o outro lado.
Simplesmente não sei o que fazer. Simplesmente não sei por onde ir. E o cruzamento está cada vez mais perto. É já ali ao virar do dia.
quinta-feira, maio 03, 2007
Azia
Quem disse que a vida era difícil? Bah! A vida é fácil. Muito fácil até. Tudo o que acontece é lógico. Tudo segue uma ordem. As pessoas fazem e reagem em resposta a estímulos: o estímulo A, naquela pessoa, dá sempre a acção B. As pessoas são básicas. São basicamente ciúmes, raiva e inveja. E a espaços mais largos, bondosas, cooperativas, altruístas. E é isto que a vida tem de engraçado: procurar olhar para adivinhar o que vem a seguir. É curioso olhar à volta e ver que 2+2 são sempre 4. É delicioso ver que a vida é perfeita como a matemática. Acreditem, esta abordagem quase nunca falha.
E quase nunca porquê? A vida só é difícil para quem não quer acreditar na sua facilidade (o pior cego é aquele que não quer ver). Está lá sempre tudo. Nada nos devia surpreender. Porque existe sempre alguma peça por estrear atrás de uma cortina de um palco. É só puxar a ponta e espreitar. Não querem estragar a surpresa? Tudo bem. Mas não refilem depois. Limitem-se a comer... e calar.
E quase nunca porquê? A vida só é difícil para quem não quer acreditar na sua facilidade (o pior cego é aquele que não quer ver). Está lá sempre tudo. Nada nos devia surpreender. Porque existe sempre alguma peça por estrear atrás de uma cortina de um palco. É só puxar a ponta e espreitar. Não querem estragar a surpresa? Tudo bem. Mas não refilem depois. Limitem-se a comer... e calar.
segunda-feira, abril 30, 2007
Para quem enfiar o barrete...
"As pessoas que nos amam têm que nos conhecer um pouco melhor que nós próprios."
Eduardo Sá
É por isso que é delas que esperamos, nos bons e nos maus momentos, acima de tudo, compreensão.
Eduardo Sá
É por isso que é delas que esperamos, nos bons e nos maus momentos, acima de tudo, compreensão.
domingo, abril 29, 2007
Dice's Boy
A partir de agora começa o jogo a sério. O meu jogo. E no meu jogo joga-se no meu tabuleiro, com as minhas peças e com os meus dados. Com as minhas regras! Eu é que sei quem joga e quando joga. Eu é que sei quem ganha. E sei que não vou ser eu a ganhar. Nem eu nem outro alguém. No meu jogo ninguém ganha. Todos perdem. Porque o jogo é meu e é assim que eu quero.
Nazarena
Todos os dias te levantas de manhã. Bem cedinho. Sabes sempre o que vais fazer durante todas as horas que vais ter pela frente. Sais convicta e hesitante. Queres mas tens medo. Desces essas ruas estreitas e de piso irregular. Com o azul ao fundo. As tuas roupas negras escuras, acompanhadas pelos 1001 folhos das tuas largas saias, cruzam-se com ingleses, espanhóis e franceses. Estrangeiros para o país e para ti. Pessoas que não te percebem. Porque não vivem a tua vida.
Caminhas até ao areal. Ele é talvez a tua primeira casa. É nele que te sentas religiosamente há anos. Vês os homens vir da faina, em barcos velhos mas que ainda flutuam. Que trazem o alimento e a saudade de muitas famílias. Mas o teu barco não voltou. Não voltou desde que saiu naquele breve momento que tão bem te lembras. Sabes que não virá. Mas mesmo assim esperas por ele. Não te cansas de o fazer só porque queres que ele venha. Que te traga o teu peixe e o teu conforto... Isso nunca irá acontecer. Foi assim que as ondas do mar quiseram. Estava escrito a fogo na água que consegues ver até ao horizonte.
Regressas. Já de noite. Amanhã sabes o que farás. De novo. E será sempre assim. Até que um dia tu vás. E também não voltes.
Caminhas até ao areal. Ele é talvez a tua primeira casa. É nele que te sentas religiosamente há anos. Vês os homens vir da faina, em barcos velhos mas que ainda flutuam. Que trazem o alimento e a saudade de muitas famílias. Mas o teu barco não voltou. Não voltou desde que saiu naquele breve momento que tão bem te lembras. Sabes que não virá. Mas mesmo assim esperas por ele. Não te cansas de o fazer só porque queres que ele venha. Que te traga o teu peixe e o teu conforto... Isso nunca irá acontecer. Foi assim que as ondas do mar quiseram. Estava escrito a fogo na água que consegues ver até ao horizonte.
Regressas. Já de noite. Amanhã sabes o que farás. De novo. E será sempre assim. Até que um dia tu vás. E também não voltes.
quinta-feira, abril 26, 2007
Prioridades
Cairia o país se o primeiro-ministro tivesse faltado a um exame do seu curso para ir plantar uma árvore. Só por achar que esse acto lhe serviria melhor para a sua futura função de ministro do Ambiente que o mero acto de preencher uma folha de papel para lhe dar habilitações. Ainda bem que isso não aconteceu.
terça-feira, abril 24, 2007
Par de pés
O corpo humano foi feito na perfeição. Basta para isso ver a razão para que foi feito com dois pés... Eles formam um par, um esquerdo e um direito, para que na areia molhada da praia caminhem alternadamente, respondendo e discutindo saudavelmente um com o outro.
Ao olharmos para uma caminhada gravada no areal, sabemos que a seguir a um pé direito virá um esquerdo. E vice-versa. Uma grande depressão encimada por outras cinco mais pequenas pedindo a resposta do seu inverso. Direito, esquerdo, direito, esquerdo, direito, ...
Faria sentido ver um só pé direito a deixar perguntas soltas? E as respostas do esquerdo?
Faria sentido ver esse mesmo pé direito a tentar responder às suas próprias perguntas, pisando o trilho de ambos os lados? E as respostas do esquerdo?
Todos os pés merecem um par. Por isso é que fomos feitos com dois.
Ao olharmos para uma caminhada gravada no areal, sabemos que a seguir a um pé direito virá um esquerdo. E vice-versa. Uma grande depressão encimada por outras cinco mais pequenas pedindo a resposta do seu inverso. Direito, esquerdo, direito, esquerdo, direito, ...
Faria sentido ver um só pé direito a deixar perguntas soltas? E as respostas do esquerdo?
Faria sentido ver esse mesmo pé direito a tentar responder às suas próprias perguntas, pisando o trilho de ambos os lados? E as respostas do esquerdo?
Todos os pés merecem um par. Por isso é que fomos feitos com dois.
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