segunda-feira, maio 08, 2006

A carne é fraca

Aceitar uma relação a dois é quase como assinar um daqueles contratos que têm, em rodapé, a letra 6, uma infinidade de "ses" e de premissas que é necessário cumprir ao milímetro. E uma dessas alíneas é sem dúvida a existência de respeito. Dos dois lados.
Existe muita gente (e hoje em dia cada vez mais) cuja carne é fraca. Muito fraca. E para estas pessoas, estas relações só têm um fim possível: para baixo. Perto do respectivo são tudo rosas. Longe dele é aquele arrastar e babar perante outros. Aquele insinuar como se fossem algo de apetecível. À procura de uma esmola que os faça sentir importantes. E nojentos. Sim, porque essas pessoas são nojentas. Porcas. Mentirosas. Falsas. Putas (a palavra é feminina, mas no contexto aplica-se a ambos os sexos) na verdadeira origem da palavra. Aliás, são piores que as putas porque essas admitem o que fazem. E não enganam ninguém nas costas.
Mas o mais hilariante de tudo isto é ver estas ditas pessoas ("cuja carne é fraca") a criticarem a fragilidade da carne dos outros. Realmente é muito bonito dizer "Eu não faria aquilo!", "Tanto contacto físico que eles têm! Eu nem a metade me atrevia!", "Andam assim agarrados e por fora têm namorado". Desculpem a minha ignorância, mas como é que alguém é capaz de dizer isto quando faz pior? Para a próxima vez em que pensarem abrir a boca para criticar lembrem-se que muito do que vocês, moralistas da treta, cospem para o ar, vai acabar por vos cair em cima. Tornando-se um bocadinho mais ridículos do que aquilo em que, com a vossa própria ajuda, se tornaram.

quarta-feira, maio 03, 2006

Não consigo

Por vezes até gostava de ser mais eu perante as pessoas. Algumas. De não jogar à defesa. De não apostar sempre no contra-ataque. Mas é mais forte do que eu. Simplesmente porque tenho medo. Tenho medo das pessoas. Porque há sempre pormenores que me fazem confusão. Que não encaixam na lógica que eu tento atribuir e ver em tudo. Que me impedem de arriscar a pôr o pé em falso. Sou assim. Fizeram-me assim. Cresci assim. Peço desculpa se esperavam mais de mim, mas de outra maneira não consigo.

terça-feira, maio 02, 2006

Vénia ao "rei"

Façam vénia ao vosso "rei". Verguem-se por quem sempre esperam e desesperam. Rebaixem-se por aquele que vos faz, cinicamente, sentir importantes todos os dias. Lambam o chão ao que se mete em todas as conversas para mostrar que é superior, que sabe, que domina. Que vos domina. Arrastem-se atrás dele como se pedissem esmola e se sentissem importantes por o conhecer. Destruam-se para lhe dar um sorriso mesmo que não vos apeteça. Sejam escravos, lacaios, vermes. Simplesmente sejam. Eu não sou.

domingo, abril 30, 2006

Sapo

A verdade é que eu nunca acreditei e sempre disse que, se acontecesse, não era merecido. E ainda o digo. O homem não percebe grande coisa daquilo mas acabou por se safar. Com muita sorte.
Entre um gatinho convencido com garras de borracha e um dragão um pouco chamuscado e aos trambolhões há muito tempo... Que venha de lá esse dragão! Queriam tudo? Não perdiam? Eram melhores? Foram piores, perderam e não ganharam nada. Sabem que mais? Engulam este sapo: o F. C. Porto é campeão.

quarta-feira, abril 26, 2006

25 de Abril...

Quer o admitamos quer não ou quer a vejamos ou não, tudo o que acontece na vida tem uma lição para nos dar. Melhor ou pior, maior ou mais pequena. Tudo serve para aprendermos. Tudo acontece com um determinado propósito. Até mesmo a morte.

terça-feira, abril 18, 2006

Acontece...

O pior que pode existir é ver a pessoa que amamos com outro companheiro. Não. O pior que pode existir é ver a pessoa que amamos com outro companheiro e saber que, no passado, esse companheiro éramos nós. Não. O pior que pode existir é ver a pessoa que amamos com outro companheiro, saber que, no passado, esse companheiro éramos nós e que perdemos esse lugar por nossa culpa. Isso sim é o pior.
E é nessas situações que se mede a inteligência de cada um. O burro sofre, critica como quem diz que não presta e, apesar disso, continua a arrastar-se e a fazer e dizer tudo para que o impossível se volte a tornar realidade. O inteligente sofre e vai embora. Simplesmente. Só porque sabe que a culpa foi dele. E é este o destino que merece.

quinta-feira, abril 13, 2006

Prenda

Porque as melhores prendas não são as mais caras. Porque as melhores prendas não têm de ser alguma coisa em que as nossas mãos possam tocar ou os nossos olhos possam ver sempre que nos apeteça. Porque as melhores prendas não têm de ser grandes.

As melhores prendas são as que são surpresa, originais e simples. São as que não se esquecem. As que se têm para sempre na memória. As melhores prendas são aquelas que só tu me dás.

Obrigado pelas prendas, mas, principalmente, obrigado por estares ao meu lado há tanto tempo...

Tretas

Há muitas coisas que são bonitas de se dizer... Mas rara é aquela que passa da beleza para a verdade. E disso é exemplo o "ganhar ou perder é desporto". Desculpem? Há alguém para quem isto faça sentido? Desporto é ganhar, vencer, derrotar. Só isso. Há alguém que jogue para perder? Há alguém que tenha gosto em não levar os outros de vencidos? É impossível haver alguém assim. É claro que se pode aceitar uma derrota com naturalidade. Mas isso não quer dizer que, lá no fundo, não quiséssemos ganhar. Que não critiquemos tudo aquilo que tenha corrido mal e que nos tenha impedido de ser melhor que os outros. Porque esse é o único objectivo dos jogos.

Desporto é ganhar. O resto... bullshit.

quinta-feira, abril 06, 2006

Amigo da internet

Logo que nasci, tive aquele que foi até hoje o maior momento de sorte da minha vida. E é provável que a vida mo tenha dado em troca de algo. Algo que leva a que as pessoas raramente consigam manter uma conversa comigo. Mas só "cara à cara"...
Porque será que as pessoas não me confiam conversas quando estou frente a elas, numa situação que é sempre mais natural? Deve ser pela minha cara que é feia, pelo meu nariz que é enorme, pela minha voz que não é agradável, pela minha maneira de ser que não é nada lamecha e que dispensa o cumprimento dos outros com dois beijos ou um aperto de mão, pela minha natureza que é demasiado bruta. Se calhar não consigo falar. Se calhar não tem nada que ver com isto. Digam-me vocês porquê...
Porque será que as pessoas só me confiam conversas quando estamos escondidos atrás de um computador? Deve ser pela minha escrita que é melhor que o meu discurso, pela impessoalidade que toda a situação gera, pelas outras pessoas mais interessantes que existem quando se está no meio de um grupo. Se calhar só aqui atrás desta máquina é que sou útil. Se calhar não tem nada que ver com isto. Digam-me vocês porquê...
Uma coisa sei: sei que não sei porque isto acontece. Se calhar não é suposto saber... Mas, também, o que é que isso interessa? Como já muitas vezes ouvi, a ignorância é um dos maiores bens que se pode ter... Ignorante ou não, estarei sempre aqui a desempenhar o papel que a sociedade moderna de hoje me atribuiu: ser, simplesmente, o amigo da internet. O amigo que serve quando o "toque pessoal" não funciona.

domingo, abril 02, 2006

Sem medo

Houve tempos em que me detestava. Em que me enojava a mim próprio. Rejeitava-me por os outros me rejeitarem. Por ser demasiado diferente... Hoje não. Aprendi (porque me ensinaram) a dar-me valor. Posso não ser bom. Mas sou eu. Sempre tive valores, gostos e ideias que vão contra as maiorias. E quando se é pequeno nem sempre é fácil enfrentá-las. Mentira. É sempre difícil... Mas hoje já não sou criança.
Sou portista ferrenho. De esquerda. Melhor, bloquista. Gosto de música clássica e dos oldies do início e meados do século passado. Detesto sair à noite e enfiar-me numa discoteca rodeado de "estrangeiros" do meu mundo. Pouco bebo e jamais meti um cigarro na boca. Gosto de história e arqueologia e se sustentassem uma vida, era esse o meu futuro. Abomino a praia, o verão e o calor. Delicio-me com o mau tempo, vendavais, chuva e trovoadas acompanhadas de relâmpagos. Que querem que faça? Sou assim! E sempre fui. E sempre serei. A diferença está em que hoje o mostro. Com naturalidade. Com gosto em mim próprio. Sei que há quem goste (poucos). Também sei que há muitos mais que não gostam. Há até os que detestam. Não me interessa.
Se há coisa que aprendi com a vida foi a ser eu mesmo e não o que os outros querem. A ser eu mesmo sem qualquer tipo de pressões... sem medo.