Este é o meu Atlas.O meu Atlas Deus que carrega o meu mundo. O meu Atlas que sofre por sonhos. O meu Atlas que, mesmo sofrendo por vezes, é feliz por sonhar.
terça-feira, outubro 30, 2007
Livro aberto
Os livros são para serem abertos e lidos. Certo. Mas há livros que não devem ser demasiado abertos nem demasiado lidos. Há livros que, invariavelmente, vão sofrer de lombadas dissecadas e de páginas deturpadas. Há livros que, quando demasiado expostos, tenderão sempre a verem-lhes impingidas frases, personagens, diálogos, bocas e outros tantos que tais, que nada têm em relação com a narrativa original. A burrice e a teimosia de ver (ou de mostrar) as entranhas mais recônditas de um monte de folhas de papel raramente dão bom resultado. A transparência e a honestidade de uma obra literária só fazem com que se torne mais vulnerável e sensível a tudo o que de bom existe à sua volta.
sábado, outubro 27, 2007
Irrita-me...
Irrita-me ter vontade de escrever. Irrita-me não conseguir escrever. Irritam-me a hipocrisia e a arrogância. Irrita-me o egoísmo. Irrita-me o altruísmo. Irrita-me a teimosia. Principalmente a infundada. Irritam-me os benfiquistas. Irritam-me ainda mais os sportinguistas. Irrita-me perder. Irrita-me ganhar (sempre). Irrita-me não dar o meu melhor. Irrita-me os outros não darem o seu melhor. Irritam-me o sol e o calor. Irrita-me a praia. Irrita-me a areia. Irrita-me o sal do mar no meu corpo. Irrita-me a falta de frontalidade. Irrita-me a traição. Irrita-me o desprezo. Irrita-me a ausência de integridade. Irritas-me tu. Irrita-me a ostentação. Irrita-me a cobardia. Irrita-me ele. Irrita-me a vida. Irrita-me a morte. Irrita-me a falta de tempo. Irrita-me o excesso de tempo. Irrita-me ficar à espera. Irrita-me fazer esperar. Irritam-me os alemães, os espanhóis e os norte-americanos. Irritam-me os roubos. Irrita-me a imperfeição. Irrita-me a incapacidade. Irrita-me a desarrumação. Irrita-me a falta de lógica. Irrita-me a desorganização. Irritam-me sapatos de vela com meias brancas. Irritam-me as meias brancas. Irritam-me camisolas de lã. Irrita-me não ser feio. Irrita-me não ser bonito. Irrita-me faltarem peças a um puzzle. Irrita-me o esquecimento. Irrita-me a relatividade. Irrita-me a incoerência. Irrita-me o barulho. Irrita-me o silêncio prolongado. Irrita-me uma nota desafinada. Irrita-me uma música demasiado alegre. Irrita-me um disco riscado. Irritam-me os violinos. Irrita-me dizerem que disse o que não disse. Irrita-me gostar. Irrita-me ter saudades. Irritam-me os Yorkshire Terrier. Irrita-me cair. Irrita-me não me conseguir levantar. Irrita-me não ter uma mão que me ajude. Irritam-me sussurros à minha frente. Irrita-me uma mousse de chocolate de plástico. Irrita-me o leite. Irritam-me as iscas. Irrita-me não pescar nada. Irrita-me não perceber. Irrita-me não saber. Irrita-me saber de mais. Irrita-me trocar os planos. Irrita-me dormir. Irrita-me perder o comboio. Irrita-me uma caneta não escrever. Irrita-me gastar dinheiro. Irrita-me não ter dinheiro para gastar. Irrita-me o passado. Irrita-me o presente. Talvez me irrite o futuro. Talvez até não me irrite. Irrita-me que alguém não tenha lido isto. Irrita-me que alguém tenha começado e não tenha acabado. Irrita-me que alguém tenha tido paciência para chegar ao fim. Irrita-me irritar-me.
sexta-feira, outubro 26, 2007
Mal parido
Quando as coisas começam mal não há bom futuro que se preveja... Perspectivas? Duvido... Se há coisa que não mente são os olhos e esses já estão a falar muito. A dizer demais em comparação com a fala. Correcção? Talvez... Pouco do que existe é irreparável. Veremos se este barco tem casco suficientemente robusto para aguentar com as vagas. Pequenas e grandes. Mas todas demasiado fortes e contraditórias.
quinta-feira, outubro 25, 2007
Decisões
A vida é feita, invariavelmente, de decisões que temos que tomar. Decisões que temos mas que não queremos assumir. Decisões que, mesmo tendo que ser encaradas, não o são simplesmente porque nós não queremos. E isso irrita-me.
segunda-feira, outubro 01, 2007
Definições I
Ginecologista: médico(a) que trabalha onde possivelmente muitos, ou pelo menos alguns, se divertem.
domingo, setembro 30, 2007
De novo
Vai começar de novo. Vai recomeçar outra vez. Não sei se será mais difícil ou mais fácil. Não me interessa. Sei, isso sim, que será diferente. Bem diferente... É bastante provável que vá sentir saudades (estranho seria se tal não acontecesse). Mas não quero que alguma coisa deixe de existir. Também não quero mais. Só quero o mesmo. Mesmo que seja de maneira diferente. É só disso que preciso. E da chuva que começa agora a cair. Oportuna. Quero essa água para me olear os gestos e as ambições. Os caminhos para as minhas metas e a lucidez para os meus desejos.
Quero voltar aqui, a este sítio, neste lugar. Quero regressar e dizer que estou cá de novo. Que estou cá outra vez. Tal como estou hoje. Mas talvez sem medo. Sim. Quero estar tal como estou hoje mas sem medo. Quero esse braço à volta do meu tronco. E essa boca encostada à minha... O resto sei que vem do beijo e com o beijo. Vou querer isto tudo tal como quero agora. Com muita força. Com muita certeza. Com muita esperança. Com muito sonhos. Contigo.
Quero voltar aqui, a este sítio, neste lugar. Quero regressar e dizer que estou cá de novo. Que estou cá outra vez. Tal como estou hoje. Mas talvez sem medo. Sim. Quero estar tal como estou hoje mas sem medo. Quero esse braço à volta do meu tronco. E essa boca encostada à minha... O resto sei que vem do beijo e com o beijo. Vou querer isto tudo tal como quero agora. Com muita força. Com muita certeza. Com muita esperança. Com muito sonhos. Contigo.
terça-feira, setembro 18, 2007
A língua das nossas mãos
Gosto de ver e perceber a linguagem das mãos. Acho que não há nada mais perfeito que o mover harmonioso de dez dedos para uma só finalidade. As mãos falam e dizem tanto mais do que as palavras que podemos proferir. E as mãos não mentem. Tantas vezes que o discurso é atraiçoado por um movimento subtil das falanges...
As tuas mãos são assim. Pequenas mas enormes. Gigantescamente enormes. São mais singelas que as minhas, mas abraçam-nas com uma facilidade que me espanta... Dizem-me muitas coisas. Dão-me calma, dão-me confiança. E, acima de tudo, dizem às minhas mãos que sabem o que elas estão a passar. Dizem às minhas mãos que as compreendem. Dizem que se tem que acreditar. Que se tem que lutar. Que há mãos que estarão ao nosso lado.
Às vezes nem eu próprio acredito no quanto me fazem falta umas mãos como as tuas. Às vezes sinto que quase caio se elas não me derem uma pequena palavra...
Um "passou-bem" de respeito para ti.
As tuas mãos são assim. Pequenas mas enormes. Gigantescamente enormes. São mais singelas que as minhas, mas abraçam-nas com uma facilidade que me espanta... Dizem-me muitas coisas. Dão-me calma, dão-me confiança. E, acima de tudo, dizem às minhas mãos que sabem o que elas estão a passar. Dizem às minhas mãos que as compreendem. Dizem que se tem que acreditar. Que se tem que lutar. Que há mãos que estarão ao nosso lado.
Às vezes nem eu próprio acredito no quanto me fazem falta umas mãos como as tuas. Às vezes sinto que quase caio se elas não me derem uma pequena palavra...
Um "passou-bem" de respeito para ti.
sábado, setembro 08, 2007
Aos bocados...
Hoje queria uma conversa, mas falta-me voz.
Hoje queria um abraço, mas faltam-me braços.
Hoje queria um pouco de calor, mas falta-me lenha.
Hoje queria um toque, mas falta-me tacto.
Hoje queria um beijo, mas falta-me boca.
Hoje queria uma emoção, mas falta-me coração.
Hoje queria uma alegria, mas falta-me sorriso.
Hoje queria uma miragem, mas faltam-me óculos.
Hoje queria um passeio, mas faltam-me pernas.
Hoje queria um sonho, mas falta-me sono.
Hoje queria uma sobremesa, mas falta-me apetite.
Hoje queria uma balada, mas falta-me ouvido.
Hoje queria-te a ti, mas falto-me eu.
quinta-feira, setembro 06, 2007
Muralha
Aí estás tu de novo. Estás no local de onde teimaste nunca mais sair. Cabra! Não me olhes do cimo do que pensas ser a tua integridade. Não me gozes mais com esse teu ar de perfeição. Por favor. Por ti. Não sabes que tenho sempre razão?Circundas-me. Rodeias-me. Cercas-me.
Tentei cavar por baixo das tuas mais profundas e podres catacumbas. Mas elas são tão profundas e tão podres que é impossível fugir sob tal peso. Tentei escalar-te as superfícies húmidas e viscosas para te passar por cima. Mas a tua humidade e o teu visco são tão imensos que só dão para me escorrer e escorregar de ti. Tentei inclusive aproveitar as tuas muitas brechas e os teus muitos buracos. Mas, por muitos que fossem, a tua espessura era demasiada para mim. Para o meu feitio.
Aqui estou eu. Pela primeira vez seguro de mim. Não totalmente, mas enfim seguro. Aqui estou eu à tua frente. Ergues-te alta, com as tuas imensas pedras rachadas e furadas, molhadas e cobertas de limo, que vão apodrecendo à medida que se afogam no pântano onde assentas. Desta vez é que vai ser. Desta vez é que é. Vou em frente. E vou-te passar. Atravessar. Passo firme. Recto. Rígido. Convencido. Jocoso... Só mais um... Já está.
Gostaste? Eu sei que não... Não percebeste? Eu explico-te: o que não existe fisicamente não pode prender alguém a lado algum.
Hoje ultrapassei-te. Tirei tudo o que tinha a tirar de ti. Espremi tudo o que me poderias dar. Hoje estás seca. Hoje não passas de um sonho. Uma ilusão. Uma memória.
quinta-feira, agosto 23, 2007
Marionetas
Não és de papéis principais. Falta-te estampa para isso (tanta!). Preferes estar por detrás do pano, a comandar os fiozinhos de todas as marionetas que se mexem alegremente num palco que tu controlas. Sei que não o fazes por medo ou vergonha. Muito menos por parecer que o fazes pela calada. Todos sabem onde estás e o que fazes e os que vão noutras conversas só podem ser parvos por pensarem que aqueles bonecos articulados têm vida própria e movimentos auto-voluntários. Tolos! Cada milímetro de acção é o reflexo da contracção dos teus dedos, ao teu sabor. Ao sabor do que tu queres e do que te apetece.
Se o céu existe, certamente não tens lugar reservado ou cativo para ti. Não precisas dizer que não te importas muito. Já ouvi as tuas crenças de que tal lugar não existe, mas sim simplesmente um único outro mundo do outro lado. Já conheço a tua opinião em relação ao porquê de assim seres. Sim, és mau quando precisas. Tens uma memória grande. Gostas de dar a tua justiça às coisas. Chamem-lhe vingança se quiserem. Porque é que não mudas ou te moderas? Pergunta estúpida...
Pé ante pé, lá dança a marioneta. Tão bonita que é. Tão bem e graciosamente se mostra... Ups! Parece que tropeçou. Parece que lhe faltou um fio. Parece que foi de propósito.
Se calhar foi mesmo.
Se o céu existe, certamente não tens lugar reservado ou cativo para ti. Não precisas dizer que não te importas muito. Já ouvi as tuas crenças de que tal lugar não existe, mas sim simplesmente um único outro mundo do outro lado. Já conheço a tua opinião em relação ao porquê de assim seres. Sim, és mau quando precisas. Tens uma memória grande. Gostas de dar a tua justiça às coisas. Chamem-lhe vingança se quiserem. Porque é que não mudas ou te moderas? Pergunta estúpida...
Pé ante pé, lá dança a marioneta. Tão bonita que é. Tão bem e graciosamente se mostra... Ups! Parece que tropeçou. Parece que lhe faltou um fio. Parece que foi de propósito.
Se calhar foi mesmo.
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