Às vezes há situações que me fazem ter saudades de voltar a ter 15 anos. Nessa altura a maioria das coisas era tão mais fácil, tão mais sincera e tão mais melhor. No meio da nossa adolescência, parecia que nos conhecíamos a todos como as palmas das mãos de cada um de nós. Antecipávamos tudo de todos.
Hoje não sei até que ponto essa realidade era real. Provavelmente era verdadeira, quando mergulhada na inconsciência e despreocupação com que se vivia tudo. Se calhar era mais certo que fosse falsa, por não mostrarmos quem puramente éramos. E que culpa tínhamos nós, se a natureza ainda não nos tinha terminado de afinar?
Sim, tenho saudades. Muitas em determinados momentos. Quando comparo e quero o que era perfeito na altura. Mas não, não voltaria atrás para reviver tudo. Já passou. Tirei o que de bom e de mau havia a tirar. E agora estou aqui, melhor do que naquela altura. Todos seguiram os seus caminhos. Agora mais crescidos. Crescidos com as saudades que teremos sempre.
Este é o meu Atlas.O meu Atlas Deus que carrega o meu mundo. O meu Atlas que sofre por sonhos. O meu Atlas que, mesmo sofrendo por vezes, é feliz por sonhar.
domingo, maio 18, 2008
quarta-feira, maio 14, 2008
Definições IV
Triste vida – um grupo de estudantes de medicina sentados a uma mesa do McDonald's incapaz de falar sobre um qualquer assunto que não seja medicina.
segunda-feira, abril 21, 2008
Descertezas
Por vezes é nos destroços da guerra ou no meio da cinza de um tremendo incêndio. É lá que se ganha a coragem para olhar em volta e recomeçar de novo. Na procura de um outro ponto de apoio ou um outro caminho dali para fora. Não é rara a ocasião em que a alternativa já lá se encontrava. Simplesmente não existia desastre que apelasse à nossa atenção. "Há males que chegam por bem". Talvez seja verdade. Há vida para além das nossas descertezas.
terça-feira, março 25, 2008
Aliterações
Sossego. Percebo-te sagazmente em torno do solo que é meu. Sinto-te sobrevoar. Aproximas-te somente só. Roças sorrateira os meus cabelos. Sopras-me suavemente algo ao ouvido. Algo que sabes e que nada me diz. Suspendes a respiração... Um silêncio. Sagrado? Supostamente! Sussurras um novo zumbido de novo. Não entendo. São símbolos de um abecedário desconhecido. Não meu. Teu. Uns silvos bruscos. Horrendo. Horrível. Horripilante. Grotescamente rude. Gritos fortes que me rasgam qualquer esboço de reacção. Reduzem-me de forma macabra. A nada. A um resquício de trevas negras e tristes, tristemente ridicularizadas. Dás-me raiva. Raiva ruborizada por tudo o que me recordas e me relembras. "Rua!", apetece-me responder-te. Obrigar-te a correr aos tropeções. Rosnar-te algo ofensivo e mesquinho. Romper a direito o teu corpo e o teu ser quando ousam atravessar-se à minha frente e reter-me retirado do meu rumo. Redestruir o que não é para ser erguido. Erros.
Esbatido. Esgotado. Ansiando pelo sono solene. Desejoso de não sobreviver à superficialidade. Pessoas, situações. Segredos salvos com objectivo? Que objectivo?
Sabes... Nunca chegaste a ser o que deverias ter sido para ousar seres o que jamais serás. Regozijas-te demasiado por aquilo que apresentas e representas. Simples somas de zeros.
Esbatido. Esgotado. Ansiando pelo sono solene. Desejoso de não sobreviver à superficialidade. Pessoas, situações. Segredos salvos com objectivo? Que objectivo?
Sabes... Nunca chegaste a ser o que deverias ter sido para ousar seres o que jamais serás. Regozijas-te demasiado por aquilo que apresentas e representas. Simples somas de zeros.
segunda-feira, março 10, 2008
Depois de tu partires...
Agora à distância, parecem dois metros que se cruzaram numa estação e que, durante escassos segundos, partilharam as linhas lado a lado. Mãos que se deram fugazmente com tanta força. Que se partiram e estilhaçaram quando ambas se dirigiram cada uma para sua direcção. Dizias que gostavas dela. Da companhia dela. Agradeceste-lhe ao ouvido o ombro que sempre te deu e o pequeno lugar que reservou só para ti. Dizias sentir-te bem naquele mundo por ela construído para lá caber um mundo novo e entravas em pânico quando te lembravas que deixavas sempre demasiada massa do teu corpo (e principalmente da tua mente) fora da esfera que se tentava construir. Desculpavas-te. Às vezes. Sempre soubeste quando devias ter-lhe dito ou feito algo mais antes de abandonares a tempos aquela utopia. Juraste que estarias sempre parado naquela estação porque te sentias bem amparado. Porque sentias que era bom não estar sozinho naquela encruzilhada de somente dois sentidos e um único ponto de encontro. Porque precisavas de alguém para te ouvir, para te ver chorar e para rir contigo. Naquele instante. Tão apenas naquele instante. Alguém para quem a sua presença fosse um prazer, certamente passageiro. Sempre soubeste e disseste isso tudo. Foram sempre promessas de se deslocarem em sentidos paralelos ou pelo menos não tão perpendiculares. Mas ela cansou-se de se tentar laçar a ti. Com um nó bem apertado e adequado à vontade que tinha. Mas ela fartou-se. Fartou-se de esperar. De te esperar. E depois ela partiu. Ou talvez tenhas sido tu a partires e ela tenha ficado no mesmo sítio à espera de outra parceira. Argumentaste que nunca percebeste. És capaz de ter fingido não ter percebido. Pediste para ela te gritar e chamar de volta a uma razão que variava entre a suposta e a julgada. Mas o problema era exactamente esse. Ela já havia bradado tudo o que a voz lhe permitia. Tu é que não ouviste. És capaz de ter fingido não ter ouvido. Mas nessa altura, depois de tu partires, era já tarde demais...
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Pelo teu melhor
Sempre pensei que juntos, se tal fosse possível, faríamos o ser o humano perfeito. Teríamos, sob o meu (agora ingénuo) olhar, tudo para nos completarmos. Peças feitas à medida para formar daqueles puzzles admiráveis. Daqueles que só existem mesmo quando se juntam 2 indivíduos absolutamente distintos. O branco e o preto. O dia e a noite. O quente e o frio. Eu e tu.
Talvez tivesse sido assim nalgum período. Já não sei. Hoje tenho a certeza que tal não se passa. Simplesmente porque tens mais do que o que devias. Excedeste os limites exigidos pela mínima decência. Não pela minha, mas antes pela que é mais correcta. Erraste. E deste daqueles erros bem graves. Daqueles que pesam demais. Que marcam muito muita gente. E não pensaste nisso. Simplesmente fizeste. E pior que isso, deixaste-me com a tua asneira na mão. Para eu decidir o que fazer dela. O que fazer de ti...
Não sei... Talvez aja pelo teu melhor.
Talvez tivesse sido assim nalgum período. Já não sei. Hoje tenho a certeza que tal não se passa. Simplesmente porque tens mais do que o que devias. Excedeste os limites exigidos pela mínima decência. Não pela minha, mas antes pela que é mais correcta. Erraste. E deste daqueles erros bem graves. Daqueles que pesam demais. Que marcam muito muita gente. E não pensaste nisso. Simplesmente fizeste. E pior que isso, deixaste-me com a tua asneira na mão. Para eu decidir o que fazer dela. O que fazer de ti...
Não sei... Talvez aja pelo teu melhor.
Naquele dia
Naquele dia consegui tudo. Bati todos, inclusive eu próprio. Superei-me. Às minhas capacidades e aos meus receios. Às minhas inseguranças em todos os campos. Disse para mim mesmo "Sim, vais fazê-lo!". E fi-lo. Virei as costas e fui em frente. Sem medo. Sei o que causei. Sei o que provoquei. Já tinha isso em mente quando dei o primeiro passo tímido antes do primeiro passo decidido. Há tanto para aprender. Há tanta gente para aprender. Naquele dia houve quem explodisse. Ou implodisse. Eu fiquei feliz. Feliz por não me interessar minimamente por qualquer outra coisa. Ou qualquer outro ser humano. Por sentir que naquele dia fui eu para mim. Só para mim. Lixei-me para os outros. De propósito. E senti-me bem. É realmente óptimo estar bem com os pecados que cometemos.
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Sem escrita
Algo de errado se passa quando dou uma prenda a alguém sem escrever alguma coisa. Por mais pequena e simples que seja. Algo de mal se passa quando não sou capaz de dizer alguma coisa a alguém. Nessas alturas normalmente prefiro não dizer o que me apeteceria dizer. Aliás, não dizer nada para quem costuma dizer sempre alguma coisa, acaba por querer dizer muito.
Rir
Só já me dá para rir, tal não é a surrealidade de tudo isto. Não choro, não me chateio, não me aborreço. Só rio. Rio das disparidades de critérios. De vontades. Rio de gozo. De desprezo pelo desprezo. Ainda bem que há pessoas que agem sempre com dois pesos e duas medidas. Ainda bem que eu o vou começar a fazer também.
segunda-feira, fevereiro 11, 2008
Tudo-Nada
Não compreendo porque é que se age como se nada se tivesse passado, quando tudo o que se passou foi tudo menos nada. Quando o nada que aconteceu, foi simplesmente o tudo que representa. Quando tudo o que se faz ou diz, é somente nada daquilo que se devia ter feito ou dito. Quando tudo me desilude. Quando já nada me espanta. Quando espero tudo que continuará a ser sempre nada.
Porque não se arranja um meio-termo? Que tal um tudo-nada perfeito?
Porque não se arranja um meio-termo? Que tal um tudo-nada perfeito?
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