quarta-feira, dezembro 31, 2008

2009

Já vão mais de 3 anos a escrever neste pequeno e enorme espaço. Tanta coisa aconteceu desde então. Muito começou, muito continuou e muito acabou. E continuar a escrever com tanto a acontecer à nossa volta não é fácil. Houve quem aqui se iniciasse. Houve quem pausasse. Houve quem parasse (temporariamente ou definitivamente). Houve quem desistisse. Houve os que avisaram e os que fugiram sem dizer nada. Houve até quem muito refilasse e se tivesse acabado por perder nas próprias discussões. Mas eu continuo aqui. Continuo como prometi a mim mesmo desde o primeiro post. Talvez agora um pouco menos assíduo que antigamente. Mas ainda assim assíduo. E é isso que eu prometo para 2009. Continuar a escrever com assiduidade. E com muito gosto. Sobre tudo o que me apetecer.

quinta-feira, dezembro 25, 2008

"E sinto que isso nos faz falta."

"Não temos conversado nada mesmo... É estranho. Chega a ser desconfortável. E sinto que isso nos faz falta."

Podia ter sido inventado, ser uma ilusão da memória ou simplesmente um sonho. Mas não foi. O choque e o espanto destas palavras não chegam para negar a sua existência. Chegam sim para uma crescente frustração e noção de incapacidade de tomar rumos. Para uma incredulidade demasiado repleta de raiva e tristeza. Principalmente tristeza.

A realidade é isto mesmo. A inconstância do presente, com reminiscências do passado e promessas falhadas no futuro.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Dramática

Sinto vontade de te retribuir o que me quiseste entregar. Aquilo que nunca chegaste a concretizar. Mas não o farei porque já não quero recebê-lo de ti. Nem tão pouco dá-lo de mim.

Pela primeira vez não me apetece escrever. Pela primeira vez não tenho nada para escrever. Pela primeira vez não vou escrever. Porquê? Para quê? Vou escrever sim. Sobre o que não sei. Mas sei sobre o que não vou escrever. Desta vez serei banal. Normal. Vulgar. Igual aos outros. Não haverá nada de especial. De transcendente. De diferente. Cada coisa no seu devido lugar. Nem acima, nem abaixo. Só no seu sítio. Finjamos então que é assim que tudo funciona. E ponhamos um sorriso parvo em todas as caras. Não é a vida um imenso teatro? Levantem a cortina que isto só já faz sentido num palco com uma plateia a aplaudir uma história que só pode existir na fantasia de uma peça. Dramática claro.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Rapaz mais velho

No outro dia disse-se na aldeia que tinham visto o teu rapaz mais velho.

Imagino-te a entrar no café e a tirares a tua boina. Como quem te cumprimenta, contar-te-iam a história toda cheia de pormenores. Descreveriam o teu rapaz mais velho: como estava vestido, como andava de um lado para o outro. Como já tinha ar de homem com a barba crescida. Bem diferente do pequeno rapazola que todos se habituaram a ver entretido com os irmãos. Tu ouvirias tudo muito interessado. Afinal era o teu rapaz mais velho. Sorririas entre dois dedos de conversa e um café. E pegarias novamente na boina para fazeres o caminho de volta. Farias o percurso mais direito e menos pequeno. Muito maior. Por fora e principalmente por dentro. Talvez tivesses o passo acelerado. Mas não terias os teus tiques nervosos tão característicos, pois nessa altura não terias motivos para os ter.

Vejo-te a chegar ao portão do quintal. Vê-la-ias sentada no banco, com o sol de fim da tarde a aquecer-lhe o descanso e a fazer alguma coisa com duas agulhas e um fio de lã. E então dir-lhe-ias "Hoje viram o nosso rapaz mais velho". E aí sorririam os dois. Inchariam ambos um pouquinho de orgulho. E à noite, depois da sopa, contariam tudo novamente ao telefone. Fariam questão de falar os dois. Falariam com o vosso rapaz mais velho e dir-lhe-iam "Hoje contaram-nos que te viram". E aí o rapaz mais velho sorriria também. Acho que não saberia muito bem o que dizer. Era capaz de não dizer nada. Simplesmente porque ouvir aquilo já lhe era suficiente. Já seria tudo para ele.

sábado, novembro 22, 2008

Orgulho

Só quero ser alguém de quem tu possas ter imenso orgulho para o resto da tua vida. Simplesmente porque mereces aquilo em que me tornei.

quarta-feira, novembro 19, 2008

Besta

Ainda bem que fazes questão de me lembrar todos os dias o quão besta és. Assim nunca corro o risco de me arrepender de te ter mandado à merda de vez.

quarta-feira, novembro 05, 2008

Olhares

Gostava de ser cego só para ter uma razão para não te conseguir olhar. Mas não sou e, assim sendo, sou obrigado a reconhecer a minha incapacidade. Já não te consigo olhar directamente nos olhos. Tenho medo que os nossos olhares se cruzem e se fixem para além do tempo que dois olhares desconhecidos se cruzam. Tenho medo que os nossos olhares se (re)tornem demasiado conhecidos.
Não quero que vejas para lá dos meus olhos escuros e captes as minhas fraquezas e dificuldades. Não quero que entendas as razões que levam a que esses mesmos olhos por vezes turvem ou tenham vontade de turvar. Não quero que percebas, como percebias, para além daquilo que eu quero mostrar.
Mas também não quero ver o que está por trás das tuas pálpebras. A vida ou a morte que elas escondem. Não quero descobrir o novo marasmo de sentimentos e razões que te inunda o corpo. Não quero tornar-me familiarizado com o que quer que seja que eu consiga captar na tua retina.

Sempre falámos mais com o nosso corpo do que com a nossa voz. Sempre nos entendemos assim. Agora, tanto tempo depois, quero cortar todos os fios que possam ainda ligar as recordações que há. Não quero que os meus olhos voltem a ver-te desencadear processos e memórias demasiado complexas no meu cérebro. Agora a minha visão já não te conhece.

quinta-feira, outubro 23, 2008

Saber

Posso não saber tudo, mas garanto-vos que sei mais do que aquilo que vocês julgam que eu sei.

domingo, outubro 12, 2008

Culpa

Desta vez nenhum de vocês me pode apontar a mais pequena falha. Dei tudo o que tinha. Disponibilizei-me e fui sincero em tudo o que fiz e disse. Não errei um milímetro que fosse.

Desta vez todos vocês sugaram-me o sangue que me preenchia. De tal maneira que estou vazio por dentro e para fora. Têm tudo o que vos podia dar. Vocês agora decidem o que querem ou não.

Tive culpa no passado e ainda a tenho no presente. A partir de agora, a culpa será toda vossa.

sábado, outubro 04, 2008

Esquecimento

Dêem-me tempo. Preciso de me esquecer que vocês se esqueceram de mim.