terça-feira, julho 29, 2008

Às vezes

Por agora terminou. Finalmente.

Este ano foi demasiado difícil em comparação com o que eu estava à espera. Muitos contra-tempos e atrasos desnecessários. Recuos e passos à ré. Estúpidos, infantis e repetitivos. Internos e também (e principalmente) externos. Há jogos que por si só já são complicados. Mais complicados se tornam quando o árbitro, os adversários, o público e a própria equipa não colaboram no nosso sentido...

Mas acabo contente, em grande parte comigo mesmo. Apesar de ter começado algo cambaleante, orgulho-me de ter tomado decisões urgentes e necessárias na altura certa e de me ter mantido fiel a elas a partir de então. Ganhei no braço-de-ferro apesar de não ter força quase nenhuma para derrotar os adversários. Saí de cabeça erguida, postura firme e com plena consciência de que dei de mim o que podia e o melhor que conseguia produzir perante as circunstâncias que me foram propostas (ou impostas) por tudo o que me rodeia. E quando assim é... puta que pariu todos os problemas que se atravessaram na minha frente! Caramba... às vezes consigo ser mesmo bom.

quarta-feira, julho 16, 2008

Gosto I

Gosto dos teus olhos. Gosto da maneira como o verde deles sorri. Gosto do teu sorriso. E gosto também do teu riso. Gosto da expressão que mostras quando o fazes. Gosto das curvas com que ficas em torno da boca. Gosto da tua boca. Gosto de beijá-la. Gosto dos beijos que me dás. Gosto do teu jeito de criança. Gosto da ingenuidade com que encaras algumas coisas. Gosto do teu lado crescido. Gosto que saibas o que queres. Gosto quando dás tudo pelo que adoras e por quem adoras. Gosto do teu jeito de vestir. Gosto do teu jeito de te despires. Gosto do teu corpo. Gosto de como fazemos amor. Gosto de como fazemos sexo. Gosto de ver a tua escova de dentes ao lado da minha. Gosto de te abraçar. Não. Gosto quando nos abraçamos. Gosto quando brincamos. Gosto de falar a sério contigo. Gosto de te ouvir. Gosto dos teus conselhos e dos teus avisos. Gosto que tenhas razão. Gosto quando me surpreendes. Gosto das prendas que me dás. Gosto de como me apoias. Gosto de como me emendas. Gosto que me completes. Mas, acima de tudo, gosto de gostar de ti.

sexta-feira, junho 27, 2008

Ser

Contigo eu não teria de pensar como ser e o que ser. Tinha que simplesmente sê-lo. O mais natural possível... Devias ser das últimas pessoas a obrigar-me a ser aquilo que eu não sou.

Tempos

O tempo é humano. E é humano porque é totalmente feito por humanos. Mas também porque erra tanta vez. Erra para quem não o fez. Para quem não é dono daquele tempo específico. Imensos aqueles que não me pertencem. Que, geralmente, correm lenta e vagarosamente menos rápidos quando comparados com o meu tempo. Aquele que eu começo e conheço. Que se rege pelos meus princípios. E pelos de muitos outros que não os que se julgam Terra num sistema geocêntrico que não existe.


Mas mesmo os tempos intermináveis têm prazos de validade. Como tudo. O tempo estraga-se com o passar do tempo. Auto-consome-se. Implode sem fazer barulho e limpando tudo o que tem em volta. Como a fusão de um núcleo atómico. Um tempo cheio de mofo e verdete não é tempo que se apresente. A ninguém. Por respeito. Por consideração. Por o que quer que seja. Se é isso que me querem dar, então é isso mesmo que eu não quero. Prefiro abstinência temporal a tempos mal gastos.


Não quero esses tempos. Não gosto desses tempos.

quarta-feira, junho 11, 2008

Mensagem

Serias capaz, passados tantos anos, de escrever tudo o que vai em ti e que sempre ficou por me dizer? Terias habilidade de pegar numa caneta e desenhar o que só gestos seriam perfeitos para descrever? Há tanto que gostava de ter ouvido com a tua voz. Alguns pedidos, alguns sentimentos, alguns desejos. Gostava de ter ouvido isto e talvez mais, só para poder senti-los como senti tudo o resto que me passaste. Aquilo que sempre acreditei ser verdade.

A vida prega-nos enormes rasteiras. Armadilhas apetecíveis que nos atrasam no nosso percurso. Partiste muito atrasada. Sem dúvida. Mas não o suficiente para perderes de vez o teu tempo. Já recuperaste alguma coisa. Talvez o mais difícil. Agora é não desistir.

domingo, maio 18, 2008

Crescidos com saudades

Às vezes há situações que me fazem ter saudades de voltar a ter 15 anos. Nessa altura a maioria das coisas era tão mais fácil, tão mais sincera e tão mais melhor. No meio da nossa adolescência, parecia que nos conhecíamos a todos como as palmas das mãos de cada um de nós. Antecipávamos tudo de todos.
Hoje não sei até que ponto essa realidade era real. Provavelmente era verdadeira, quando mergulhada na inconsciência e despreocupação com que se vivia tudo. Se calhar era mais certo que fosse falsa, por não mostrarmos quem puramente éramos. E que culpa tínhamos nós, se a natureza ainda não nos tinha terminado de afinar?
Sim, tenho saudades. Muitas em determinados momentos. Quando comparo e quero o que era perfeito na altura. Mas não, não voltaria atrás para reviver tudo. Já passou. Tirei o que de bom e de mau havia a tirar. E agora estou aqui, melhor do que naquela altura. Todos seguiram os seus caminhos. Agora mais crescidos. Crescidos com as saudades que teremos sempre.

quarta-feira, maio 14, 2008

Definições IV

Triste vida um grupo de estudantes de medicina sentados a uma mesa do McDonald's incapaz de falar sobre um qualquer assunto que não seja medicina.

segunda-feira, abril 21, 2008

Descertezas

Por vezes é nos destroços da guerra ou no meio da cinza de um tremendo incêndio. É lá que se ganha a coragem para olhar em volta e recomeçar de novo. Na procura de um outro ponto de apoio ou um outro caminho dali para fora. Não é rara a ocasião em que a alternativa já lá se encontrava. Simplesmente não existia desastre que apelasse à nossa atenção. "Há males que chegam por bem". Talvez seja verdade. Há vida para além das nossas descertezas.

terça-feira, março 25, 2008

Aliterações

Sossego. Percebo-te sagazmente em torno do solo que é meu. Sinto-te sobrevoar. Aproximas-te somente só. Roças sorrateira os meus cabelos. Sopras-me suavemente algo ao ouvido. Algo que sabes e que nada me diz. Suspendes a respiração... Um silêncio. Sagrado? Supostamente! Sussurras um novo zumbido de novo. Não entendo. São símbolos de um abecedário desconhecido. Não meu. Teu. Uns silvos bruscos. Horrendo. Horrível. Horripilante. Grotescamente rude. Gritos fortes que me rasgam qualquer esboço de reacção. Reduzem-me de forma macabra. A nada. A um resquício de trevas negras e tristes, tristemente ridicularizadas. Dás-me raiva. Raiva ruborizada por tudo o que me recordas e me relembras. "Rua!", apetece-me responder-te. Obrigar-te a correr aos tropeções. Rosnar-te algo ofensivo e mesquinho. Romper a direito o teu corpo e o teu ser quando ousam atravessar-se à minha frente e reter-me retirado do meu rumo. Redestruir o que não é para ser erguido. Erros.

Esbatido. Esgotado. Ansiando pelo sono solene. Desejoso de não sobreviver à superficialidade. Pessoas, situações. Segredos salvos com objectivo? Que objectivo?

Sabes... Nunca chegaste a ser o que deverias ter sido para ousar seres o que jamais serás. Regozijas-te demasiado por aquilo que apresentas e representas. Simples somas de zeros.

segunda-feira, março 10, 2008

Depois de tu partires...

Agora à distância, parecem dois metros que se cruzaram numa estação e que, durante escassos segundos, partilharam as linhas lado a lado. Mãos que se deram fugazmente com tanta força. Que se partiram e estilhaçaram quando ambas se dirigiram cada uma para sua direcção. Dizias que gostavas dela. Da companhia dela. Agradeceste-lhe ao ouvido o ombro que sempre te deu e o pequeno lugar que reservou só para ti. Dizias sentir-te bem naquele mundo por ela construído para lá caber um mundo novo e entravas em pânico quando te lembravas que deixavas sempre demasiada massa do teu corpo (e principalmente da tua mente) fora da esfera que se tentava construir. Desculpavas-te. Às vezes. Sempre soubeste quando devias ter-lhe dito ou feito algo mais antes de abandonares a tempos aquela utopia. Juraste que estarias sempre parado naquela estação porque te sentias bem amparado. Porque sentias que era bom não estar sozinho naquela encruzilhada de somente dois sentidos e um único ponto de encontro. Porque precisavas de alguém para te ouvir, para te ver chorar e para rir contigo. Naquele instante. Tão apenas naquele instante. Alguém para quem a sua presença fosse um prazer, certamente passageiro. Sempre soubeste e disseste isso tudo. Foram sempre promessas de se deslocarem em sentidos paralelos ou pelo menos não tão perpendiculares. Mas ela cansou-se de se tentar laçar a ti. Com um nó bem apertado e adequado à vontade que tinha. Mas ela fartou-se. Fartou-se de esperar. De te esperar. E depois ela partiu. Ou talvez tenhas sido tu a partires e ela tenha ficado no mesmo sítio à espera de outra parceira. Argumentaste que nunca percebeste. És capaz de ter fingido não ter percebido. Pediste para ela te gritar e chamar de volta a uma razão que variava entre a suposta e a julgada. Mas o problema era exactamente esse. Ela já havia bradado tudo o que a voz lhe permitia. Tu é que não ouviste. És capaz de ter fingido não ter ouvido. Mas nessa altura, depois de tu partires, era já tarde demais...