Este é o meu Atlas.O meu Atlas Deus que carrega o meu mundo. O meu Atlas que sofre por sonhos. O meu Atlas que, mesmo sofrendo por vezes, é feliz por sonhar.
sexta-feira, junho 27, 2008
Ser
Contigo eu não teria de pensar como ser e o que ser. Tinha que simplesmente sê-lo. O mais natural possível... Devias ser das últimas pessoas a obrigar-me a ser aquilo que eu não sou.
Tempos
O tempo é humano. E é humano porque é totalmente feito por humanos. Mas também porque erra tanta vez. Erra para quem não o fez. Para quem não é dono daquele tempo específico. Imensos aqueles que não me pertencem. Que, geralmente, correm lenta e vagarosamente menos rápidos quando comparados com o meu tempo. Aquele que eu começo e conheço. Que se rege pelos meus princípios. E pelos de muitos outros que não os que se julgam Terra num sistema geocêntrico que não existe.
Mas mesmo os tempos intermináveis têm prazos de validade. Como tudo. O tempo estraga-se com o passar do tempo. Auto-consome-se. Implode sem fazer barulho e limpando tudo o que tem em volta. Como a fusão de um núcleo atómico. Um tempo cheio de mofo e verdete não é tempo que se apresente. A ninguém. Por respeito. Por consideração. Por o que quer que seja. Se é isso que me querem dar, então é isso mesmo que eu não quero. Prefiro abstinência temporal a tempos mal gastos.
Não quero esses tempos. Não gosto desses tempos.
Mas mesmo os tempos intermináveis têm prazos de validade. Como tudo. O tempo estraga-se com o passar do tempo. Auto-consome-se. Implode sem fazer barulho e limpando tudo o que tem em volta. Como a fusão de um núcleo atómico. Um tempo cheio de mofo e verdete não é tempo que se apresente. A ninguém. Por respeito. Por consideração. Por o que quer que seja. Se é isso que me querem dar, então é isso mesmo que eu não quero. Prefiro abstinência temporal a tempos mal gastos.
Não quero esses tempos. Não gosto desses tempos.
quarta-feira, junho 11, 2008
Mensagem
Serias capaz, passados tantos anos, de escrever tudo o que vai em ti e que sempre ficou por me dizer? Terias habilidade de pegar numa caneta e desenhar o que só gestos seriam perfeitos para descrever? Há tanto que gostava de ter ouvido com a tua voz. Alguns pedidos, alguns sentimentos, alguns desejos. Gostava de ter ouvido isto e talvez mais, só para poder senti-los como senti tudo o resto que me passaste. Aquilo que sempre acreditei ser verdade.
A vida prega-nos enormes rasteiras. Armadilhas apetecíveis que nos atrasam no nosso percurso. Partiste muito atrasada. Sem dúvida. Mas não o suficiente para perderes de vez o teu tempo. Já recuperaste alguma coisa. Talvez o mais difícil. Agora é não desistir.
A vida prega-nos enormes rasteiras. Armadilhas apetecíveis que nos atrasam no nosso percurso. Partiste muito atrasada. Sem dúvida. Mas não o suficiente para perderes de vez o teu tempo. Já recuperaste alguma coisa. Talvez o mais difícil. Agora é não desistir.
domingo, maio 18, 2008
Crescidos com saudades
Às vezes há situações que me fazem ter saudades de voltar a ter 15 anos. Nessa altura a maioria das coisas era tão mais fácil, tão mais sincera e tão mais melhor. No meio da nossa adolescência, parecia que nos conhecíamos a todos como as palmas das mãos de cada um de nós. Antecipávamos tudo de todos.
Hoje não sei até que ponto essa realidade era real. Provavelmente era verdadeira, quando mergulhada na inconsciência e despreocupação com que se vivia tudo. Se calhar era mais certo que fosse falsa, por não mostrarmos quem puramente éramos. E que culpa tínhamos nós, se a natureza ainda não nos tinha terminado de afinar?
Sim, tenho saudades. Muitas em determinados momentos. Quando comparo e quero o que era perfeito na altura. Mas não, não voltaria atrás para reviver tudo. Já passou. Tirei o que de bom e de mau havia a tirar. E agora estou aqui, melhor do que naquela altura. Todos seguiram os seus caminhos. Agora mais crescidos. Crescidos com as saudades que teremos sempre.
Hoje não sei até que ponto essa realidade era real. Provavelmente era verdadeira, quando mergulhada na inconsciência e despreocupação com que se vivia tudo. Se calhar era mais certo que fosse falsa, por não mostrarmos quem puramente éramos. E que culpa tínhamos nós, se a natureza ainda não nos tinha terminado de afinar?
Sim, tenho saudades. Muitas em determinados momentos. Quando comparo e quero o que era perfeito na altura. Mas não, não voltaria atrás para reviver tudo. Já passou. Tirei o que de bom e de mau havia a tirar. E agora estou aqui, melhor do que naquela altura. Todos seguiram os seus caminhos. Agora mais crescidos. Crescidos com as saudades que teremos sempre.
quarta-feira, maio 14, 2008
Definições IV
Triste vida – um grupo de estudantes de medicina sentados a uma mesa do McDonald's incapaz de falar sobre um qualquer assunto que não seja medicina.
segunda-feira, abril 21, 2008
Descertezas
Por vezes é nos destroços da guerra ou no meio da cinza de um tremendo incêndio. É lá que se ganha a coragem para olhar em volta e recomeçar de novo. Na procura de um outro ponto de apoio ou um outro caminho dali para fora. Não é rara a ocasião em que a alternativa já lá se encontrava. Simplesmente não existia desastre que apelasse à nossa atenção. "Há males que chegam por bem". Talvez seja verdade. Há vida para além das nossas descertezas.
terça-feira, março 25, 2008
Aliterações
Sossego. Percebo-te sagazmente em torno do solo que é meu. Sinto-te sobrevoar. Aproximas-te somente só. Roças sorrateira os meus cabelos. Sopras-me suavemente algo ao ouvido. Algo que sabes e que nada me diz. Suspendes a respiração... Um silêncio. Sagrado? Supostamente! Sussurras um novo zumbido de novo. Não entendo. São símbolos de um abecedário desconhecido. Não meu. Teu. Uns silvos bruscos. Horrendo. Horrível. Horripilante. Grotescamente rude. Gritos fortes que me rasgam qualquer esboço de reacção. Reduzem-me de forma macabra. A nada. A um resquício de trevas negras e tristes, tristemente ridicularizadas. Dás-me raiva. Raiva ruborizada por tudo o que me recordas e me relembras. "Rua!", apetece-me responder-te. Obrigar-te a correr aos tropeções. Rosnar-te algo ofensivo e mesquinho. Romper a direito o teu corpo e o teu ser quando ousam atravessar-se à minha frente e reter-me retirado do meu rumo. Redestruir o que não é para ser erguido. Erros.
Esbatido. Esgotado. Ansiando pelo sono solene. Desejoso de não sobreviver à superficialidade. Pessoas, situações. Segredos salvos com objectivo? Que objectivo?
Sabes... Nunca chegaste a ser o que deverias ter sido para ousar seres o que jamais serás. Regozijas-te demasiado por aquilo que apresentas e representas. Simples somas de zeros.
Esbatido. Esgotado. Ansiando pelo sono solene. Desejoso de não sobreviver à superficialidade. Pessoas, situações. Segredos salvos com objectivo? Que objectivo?
Sabes... Nunca chegaste a ser o que deverias ter sido para ousar seres o que jamais serás. Regozijas-te demasiado por aquilo que apresentas e representas. Simples somas de zeros.
segunda-feira, março 10, 2008
Depois de tu partires...
Agora à distância, parecem dois metros que se cruzaram numa estação e que, durante escassos segundos, partilharam as linhas lado a lado. Mãos que se deram fugazmente com tanta força. Que se partiram e estilhaçaram quando ambas se dirigiram cada uma para sua direcção. Dizias que gostavas dela. Da companhia dela. Agradeceste-lhe ao ouvido o ombro que sempre te deu e o pequeno lugar que reservou só para ti. Dizias sentir-te bem naquele mundo por ela construído para lá caber um mundo novo e entravas em pânico quando te lembravas que deixavas sempre demasiada massa do teu corpo (e principalmente da tua mente) fora da esfera que se tentava construir. Desculpavas-te. Às vezes. Sempre soubeste quando devias ter-lhe dito ou feito algo mais antes de abandonares a tempos aquela utopia. Juraste que estarias sempre parado naquela estação porque te sentias bem amparado. Porque sentias que era bom não estar sozinho naquela encruzilhada de somente dois sentidos e um único ponto de encontro. Porque precisavas de alguém para te ouvir, para te ver chorar e para rir contigo. Naquele instante. Tão apenas naquele instante. Alguém para quem a sua presença fosse um prazer, certamente passageiro. Sempre soubeste e disseste isso tudo. Foram sempre promessas de se deslocarem em sentidos paralelos ou pelo menos não tão perpendiculares. Mas ela cansou-se de se tentar laçar a ti. Com um nó bem apertado e adequado à vontade que tinha. Mas ela fartou-se. Fartou-se de esperar. De te esperar. E depois ela partiu. Ou talvez tenhas sido tu a partires e ela tenha ficado no mesmo sítio à espera de outra parceira. Argumentaste que nunca percebeste. És capaz de ter fingido não ter percebido. Pediste para ela te gritar e chamar de volta a uma razão que variava entre a suposta e a julgada. Mas o problema era exactamente esse. Ela já havia bradado tudo o que a voz lhe permitia. Tu é que não ouviste. És capaz de ter fingido não ter ouvido. Mas nessa altura, depois de tu partires, era já tarde demais...
quinta-feira, fevereiro 28, 2008
Pelo teu melhor
Sempre pensei que juntos, se tal fosse possível, faríamos o ser o humano perfeito. Teríamos, sob o meu (agora ingénuo) olhar, tudo para nos completarmos. Peças feitas à medida para formar daqueles puzzles admiráveis. Daqueles que só existem mesmo quando se juntam 2 indivíduos absolutamente distintos. O branco e o preto. O dia e a noite. O quente e o frio. Eu e tu.
Talvez tivesse sido assim nalgum período. Já não sei. Hoje tenho a certeza que tal não se passa. Simplesmente porque tens mais do que o que devias. Excedeste os limites exigidos pela mínima decência. Não pela minha, mas antes pela que é mais correcta. Erraste. E deste daqueles erros bem graves. Daqueles que pesam demais. Que marcam muito muita gente. E não pensaste nisso. Simplesmente fizeste. E pior que isso, deixaste-me com a tua asneira na mão. Para eu decidir o que fazer dela. O que fazer de ti...
Não sei... Talvez aja pelo teu melhor.
Talvez tivesse sido assim nalgum período. Já não sei. Hoje tenho a certeza que tal não se passa. Simplesmente porque tens mais do que o que devias. Excedeste os limites exigidos pela mínima decência. Não pela minha, mas antes pela que é mais correcta. Erraste. E deste daqueles erros bem graves. Daqueles que pesam demais. Que marcam muito muita gente. E não pensaste nisso. Simplesmente fizeste. E pior que isso, deixaste-me com a tua asneira na mão. Para eu decidir o que fazer dela. O que fazer de ti...
Não sei... Talvez aja pelo teu melhor.
Naquele dia
Naquele dia consegui tudo. Bati todos, inclusive eu próprio. Superei-me. Às minhas capacidades e aos meus receios. Às minhas inseguranças em todos os campos. Disse para mim mesmo "Sim, vais fazê-lo!". E fi-lo. Virei as costas e fui em frente. Sem medo. Sei o que causei. Sei o que provoquei. Já tinha isso em mente quando dei o primeiro passo tímido antes do primeiro passo decidido. Há tanto para aprender. Há tanta gente para aprender. Naquele dia houve quem explodisse. Ou implodisse. Eu fiquei feliz. Feliz por não me interessar minimamente por qualquer outra coisa. Ou qualquer outro ser humano. Por sentir que naquele dia fui eu para mim. Só para mim. Lixei-me para os outros. De propósito. E senti-me bem. É realmente óptimo estar bem com os pecados que cometemos.
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