quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Perfume

Sabes do que é que eu mais gosto quando dormes na minha cama? A possibilidade de ficar com o teu perfume nos meus lençóis e na minha almofada, mesmo depois de te teres ido embora.

quarta-feira, fevereiro 04, 2009

Over-friendly guest

Do you know how pale and wanton thrillful comes death on a strange hour ..., unannounced, unplanned for ..., like a scaring over-friendly guest you've brought to bed?

Jim Morrison

Os amigos são como a morte. Matam-nos sem aviso. Chegam calma e capitalmente sem nos apercebermos. Entram na nossa cama, na nossa casa. Na nossa vida. Tantas vezes sem permissão. Quase sempre sem autorização. Nunca com aviso prévio. Vêm de graça, oferecidos e cobertos de veneno. Prendas madrastas. Emocionantemente vazias ou então não. Ou então repletas de aventuras decorrentes das desventuras que nos causam. Vultos despidos de coração que movimente o sangue que não têm. Brancos de cal e de frio que apaga sempre, a qualquer instante, qualquer sopro quente que se ouse levantar. Estranhos que à força nos forçam a deixá-los consumir a nossa existência. A roer os nossos actos. A matarmo-nos de dentro para fora. Só porque os deixámos chegar. Só porque não podíamos evitar que chegassem. Só porque os amigos são a morte de todos os nossos dias. Aquela que nos molesta indefinidamente. E infinitamente. E que dói mais que a original, que só vem uma vez. E no fim.

domingo, janeiro 25, 2009

Mundos invertidos

Perguntei-te se querias ir. Não me respondeste.

Perguntei-te se querias ficar. Nem para mim olhaste.

Perguntei-te o que te faltava. Ignoraste-me por completo.

Perguntei-te porquê. Viraste a cara.

Perguntei-te se valia a pena. Suspiraste para o ar.

Perguntei-te o que se passava. Não me disseste nada.



Não te respondi. Não me perguntaste se queria ir.

Nem para ti olhei. Não me perguntaste se queria ficar.

Ignorei-te por completo. Não me perguntaste o que me faltava.

Virei-te a cara. Não me perguntaste porquê.

Suspirei para o ar. Não me perguntaste se valia pena.

Não te disse nada. Não me perguntaste o que se passava.

quinta-feira, janeiro 15, 2009

Definições VI

"Morte" desejo profundo de que alguém desapareça da nossa vida, de forma física ou mental. Não necessita de "morrer" para outros. Tem simplesmente e somente de "morrer" para nós. Para sempre.

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Não te atreverias...

Se tiveres o azar de eu chegar a saber que fizeste comigo o mesmo que fizeste com outras pessoas, acho que me encherei de coragem para te partir de cima a baixo. Claro que não de uma forma literal. Mas de uma forma que te vai doer muito mais.

quarta-feira, dezembro 31, 2008

2009

Já vão mais de 3 anos a escrever neste pequeno e enorme espaço. Tanta coisa aconteceu desde então. Muito começou, muito continuou e muito acabou. E continuar a escrever com tanto a acontecer à nossa volta não é fácil. Houve quem aqui se iniciasse. Houve quem pausasse. Houve quem parasse (temporariamente ou definitivamente). Houve quem desistisse. Houve os que avisaram e os que fugiram sem dizer nada. Houve até quem muito refilasse e se tivesse acabado por perder nas próprias discussões. Mas eu continuo aqui. Continuo como prometi a mim mesmo desde o primeiro post. Talvez agora um pouco menos assíduo que antigamente. Mas ainda assim assíduo. E é isso que eu prometo para 2009. Continuar a escrever com assiduidade. E com muito gosto. Sobre tudo o que me apetecer.

quinta-feira, dezembro 25, 2008

"E sinto que isso nos faz falta."

"Não temos conversado nada mesmo... É estranho. Chega a ser desconfortável. E sinto que isso nos faz falta."

Podia ter sido inventado, ser uma ilusão da memória ou simplesmente um sonho. Mas não foi. O choque e o espanto destas palavras não chegam para negar a sua existência. Chegam sim para uma crescente frustração e noção de incapacidade de tomar rumos. Para uma incredulidade demasiado repleta de raiva e tristeza. Principalmente tristeza.

A realidade é isto mesmo. A inconstância do presente, com reminiscências do passado e promessas falhadas no futuro.

segunda-feira, dezembro 15, 2008

Dramática

Sinto vontade de te retribuir o que me quiseste entregar. Aquilo que nunca chegaste a concretizar. Mas não o farei porque já não quero recebê-lo de ti. Nem tão pouco dá-lo de mim.

Pela primeira vez não me apetece escrever. Pela primeira vez não tenho nada para escrever. Pela primeira vez não vou escrever. Porquê? Para quê? Vou escrever sim. Sobre o que não sei. Mas sei sobre o que não vou escrever. Desta vez serei banal. Normal. Vulgar. Igual aos outros. Não haverá nada de especial. De transcendente. De diferente. Cada coisa no seu devido lugar. Nem acima, nem abaixo. Só no seu sítio. Finjamos então que é assim que tudo funciona. E ponhamos um sorriso parvo em todas as caras. Não é a vida um imenso teatro? Levantem a cortina que isto só já faz sentido num palco com uma plateia a aplaudir uma história que só pode existir na fantasia de uma peça. Dramática claro.

terça-feira, dezembro 09, 2008

Rapaz mais velho

No outro dia disse-se na aldeia que tinham visto o teu rapaz mais velho.

Imagino-te a entrar no café e a tirares a tua boina. Como quem te cumprimenta, contar-te-iam a história toda cheia de pormenores. Descreveriam o teu rapaz mais velho: como estava vestido, como andava de um lado para o outro. Como já tinha ar de homem com a barba crescida. Bem diferente do pequeno rapazola que todos se habituaram a ver entretido com os irmãos. Tu ouvirias tudo muito interessado. Afinal era o teu rapaz mais velho. Sorririas entre dois dedos de conversa e um café. E pegarias novamente na boina para fazeres o caminho de volta. Farias o percurso mais direito e menos pequeno. Muito maior. Por fora e principalmente por dentro. Talvez tivesses o passo acelerado. Mas não terias os teus tiques nervosos tão característicos, pois nessa altura não terias motivos para os ter.

Vejo-te a chegar ao portão do quintal. Vê-la-ias sentada no banco, com o sol de fim da tarde a aquecer-lhe o descanso e a fazer alguma coisa com duas agulhas e um fio de lã. E então dir-lhe-ias "Hoje viram o nosso rapaz mais velho". E aí sorririam os dois. Inchariam ambos um pouquinho de orgulho. E à noite, depois da sopa, contariam tudo novamente ao telefone. Fariam questão de falar os dois. Falariam com o vosso rapaz mais velho e dir-lhe-iam "Hoje contaram-nos que te viram". E aí o rapaz mais velho sorriria também. Acho que não saberia muito bem o que dizer. Era capaz de não dizer nada. Simplesmente porque ouvir aquilo já lhe era suficiente. Já seria tudo para ele.

sábado, novembro 22, 2008

Orgulho

Só quero ser alguém de quem tu possas ter imenso orgulho para o resto da tua vida. Simplesmente porque mereces aquilo em que me tornei.